Temas de Investigação

Os temas tratados no LABESPAÇO abordam três questões principais:

  • Como se torna o espaço praticável?
  • Como o espaço interage com as organizações sociais que acolhe?
  • Como avaliar o desempenho dos espaços construídos em situação de uso e converter os dados obtidos em informação útil para a área disciplinar da arquitectura?

Incidem sobre as razões da forma física, i.e. da morfologia dos espaços construídos (escala da cidade e da edificação), do seu desempenho e das suas diferenças, expondo uma leitura focalizada nos fenómenos da arquitectura, i.e. nas implicações relativas ao uso do espaço construído.

O propósito é estudar a forma física e, através da sua descrição e análise, interpretar a lógica da sua organização e composição, identificar as suas propriedades estruturantes e avaliar as suas capacidades funcionais.

Por capacidades funcionais entende-se as condições espaciais que permitem que uma dada forma física responda ao “programa” que suporta, ao contexto sócio-cultural e temporal onde se realiza e às solicitações e expectativas de quem a utiliza. O termo “programa” significa a forma como uma organização social se constitui e faz representar no espaço.

Trata-se portanto de um campo de investigação apoiado nas áreas da morfologia arquitectónica e social procurando estabelecer relações entre si.

Estudar a relação entre forma física e forma social significa admitir, como hipótese inicial de trabalho, que a arquitectura e as organizações sociais interagem tanto no plano simbólico como no plano mais pragmático, do programa e da organização espacial. Significa, portanto, admitir, que o espaço não só exerce o papel simbólico de representação social, como constitui um instrumento para a realização da função social que é objectivo do mesmo. A Arquitectura, desta forma, é usada como um discurso físico, e como tal, é um tradutor consistente das tendências comuns sobre a condução daquela função social e da vida social prevalecente em cada época.

Estudar a relação entre forma física e forma social pressupõe, também, o suporte de um quadro teórico sobre esta relação, bem como uma metodologia que permita a sua avaliação e ao mesmo tempo oriente a definição das variáveis de análise e a selecção dos atributos relativos à organização social e física passíveis de interacção.

A tese central é de que se alguma relação existe entre atributos sociais e espaciais, esta não se revela ou se esclarece apenas através da ordem visível, ou seja dos aspectos aparentes ou simbólicos, ou da função exercida, mas encontra-se subjacente na estrutura espacial da forma física.